segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Ferrovias ociosas, economia fora dos trilhos

O descaso do Brasil com sua malha ferroviária, mesmo após a retomada dos investimentos nesta década, continua monumental.

Levantamento feito pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) mostra que 62% do total de ferrovias concedidas à iniciativa privada nos anos 1990 estão ociosos ou abandonados. Por isso, o governo federal está desenhando mecanismos para recolocar esse tipo de transporte nos trilhos, começando pela rede de 570 quilômetros subutilizada do Norte Fluminense.

Dos 28.831 quilômetros da malha ferroviária existente no país, apenas 10.930 são explorados, de acordo com a ANTT. Se for considerada apenas a malha em bitola estreita (distância entre os trilhos de um metro, mais antiga e predominante no país), essa ociosidade é de 77%. Já a malha em bitola larga (distância de 1,6 metro, mais moderna) é totalmente utilizada. A maior parte das ferrovias subutilizadas está no Sul e no Sudeste, mas também há no Nordeste e no Centro-Oeste.

Estudo critica infraestrutura logística do Brasil

O Brasil tem uma das piores infraestruturas de logística entre os países do Bric (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China), os Estados Unidos e o Canadá. Essa é a conclusão de um estudo realizado pelo Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos) e divulgado no último dia 25.

O presidente do Ilos, Paulo Fleury, que participa do 15º Fórum Internacional de Logística, afirmou que, em quilometragem de rodovias pavimentadas, por exemplo, o Brasil está na última colocação, com 212 mil quilômetros (km), atrás de Canadá (516 mil km), Rússia (655 mil km), Índia (1,565 milhão de km), China (1,576 milhão de km) e Estados Unidos (4,210 milhões de km). O Brasil também fica em último na extensão de ferrovias, com 29 mil km. Perde para Canadá (47 mil km), Índia (63 mil km), China (77 mil km), Rússia (87 mil km) e Estados Unidos (227 mil km).

De acordo com o estudo, o País também é o pior em quilometragem de dutos, com 19 mil km, ficando atrás de Índia (23 mil km), China (58 mil km), Canadá (99 mil km), Rússia (247 mil km) e Estados Unidos (793 mil km). Em termos de hidrovias, o Brasil, com 14 mil km, só fica à frente dos 600 km do Canadá. As maiores redes de hidrovias estão na China (110 mil km), na Rússia (102 mil km), nos Estados Unidos (41 mil km) e na Índia (15 mil km).

Apesar da carência, Paulo Fleury estimou que o governo do presidente Lula só consiga realizar R$ 17 bilhões em investimentos de infraestrutura logística até o final do seu mandato no ano que vem, como parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Segundo ele, Lula deve deixar um déficit de investimento de R$ 115 bilhões na área para o próximo governo.Isso porque a previsão do governo Lula era a de realizar R$ 132 bilhões de investimentos em infraestrutura logística até 2010, mas apenas R$ 10 bilhões foram desembolsados até agora. Outros R$ 7 bilhões deverão ser gastos até o final do mandato.

"Hoje já se passou 60% do tempo para o governo Lula fazer o PAC. Faltam em torno de 15 meses e só tem cerca de 10% executado", lembrou Fleury.

Fonte: O Estado de S. Paulo

sábado, 24 de outubro de 2009

Varejistas voltam a apostar em terceirização da área logística

O varejo volta a optar pela terceirização de sua área logística, principalmente nos setores de franquias e vestuário, com a busca por redução de gastos, que pode chegar a 30%, e recursos para a expansão das lojas e outras questões do negócio, como marketing e suporte para franqueados. É caso da rede de restaurantes Griletto, que para continuar uma expansão acelerada - a empresa se transformou em franqueadora no fim de 2008 e em menos de um ano dobrou de tamanho -, acabou de fechar contrato com a Martin-Brower, multinacional que já faz entregas para a rede de fast-food McDonald's.

O objetivo da companhia, que possuía 13 filiais antes de abrir franquias, é fechar 2009 com 30 unidades, sendo que a Martin-Brower fará todo o trabalho de compra dos alimentos, a manipulação e a entrega para as lojas, o que antes era feito em uma central da rede em Indaiatuba, no interior de São Paulo. A parceria já possibilitou uma economia de 3% a 5% em gastos com a área.De acordo com Ricardo José, sócio diretor do Griletto, a rede paulista irá abrir unidades em outros estados da Região Sudeste e já está negociando no nordeste.

"Para suportar esse crescimento precisávamos de uma estrutura logística forte e achamos que era o momento de fazer algo mais profissional, usar a expertise que eles já têm na área", afirma.

Em 2010, a rede quer chegar a pelo menos 50 restaurantes, sendo que já fechou contrato de oito lojas.O executivo explica que algumas grandes redes de fast-food já atuam com operadores logísticos terceirizados, já que o setor precisa ter grande confiabilidade na entrega para não ocorrer ruptura ou perdas.

Ainda foram feitas algumas modificações na cadeia de fornecimento: agora, a batata congelada é comprada do mercado externo, aproveitando a cadeia da Martin-Brower, o que acaba por reduzir custos. O mesmo aconteceu com as embalagens utilizadas nos restaurantes, agora fornecidas pela empresa.

Vestuário

O varejo de vestuário é outro segmento que tem procurado terceirizar sua logística, já que precisa ter uma eficiente estrutura de armazenamento e entregas, para ter sempre novidades nas lojas.

A rede TNG, de moda feminina e masculina, afirma que tem interesse em terceirizar seu CD e o maior número de áreas secundárias, como de tecnologia, contabilidade e recursos humanos, o que ajudaria a manter foco no negócio e na expansão das lojas, já que estão refazendo seu planejamento e estudam a abertura de unidades em cidades menores e a adoção de um novo modelo para expandir, como o de franquias, em 2010. Hoje, possuem 800 pontos-de-venda, incluindo lojas, outlets e multimarcas."Há dois anos fizemos um levantamento, e resultou que não valia a pena financeiramente, mas temos essa intenção. Tudo o que pudermos, vamos terceirizar para nos concentrarmos no negócio e desenvolver produtos", diz o presidente da rede, Tito Bessa.

A rede atua com transportadoras para fazer entregas, não tem frota própria, e acaba de terceirizar a área de TI.O executivo afirma também que este ano chegou a fechar quatro lojas e fazer substituição de pontos, em busca de outros que tivessem um retorno maior. Até o fim do ano, deve abrir outras quatro unidades, uma em Manaus (AM), duas na cidade de São Paulo e uma outra no interior paulista. Outra meta é, nos próximos anos, reformar todas as lojas.

A empresa varejista de roupa masculina YMAN - Yachtsman, com mais de 30 lojas, também está passando por um grande processo de reestruturação, e, recentemente terceirizou sua operação logística. De acordo com a empresa, "o objetivo é melhorar a comunicação entre toda a rede, o controle de estoque, vendas e recebimento de mercadorias", prevendo obter redução dos custos por meio do ganho de escala.O Grupo Linx, especializado em produtos e serviços para o varejo, confirma uma maior procura de redes pela terceirização, tanto que seu braço na área, chamado de Linx Fast Fashion, é o que mais cresce dentro da empresa. Hoje a empresa faz a operação logística da YMAN e atende marcas como Camisaria Colombo, Zara e Chicco.Segundo Alberto Menache, diretor do Grupo, já tiveram que adotar um CD maior, e devem partir para outra expansão em breve: o CD de 7 mil m² passará a ter 12 mil m².

"Sabemos de redes que têm uma economia de até 30% atuando com um operador logístico. Queremos dobrar o número de clientes em 2010", diz.

Vale estuda comprar 51% de empresa de logística em Moçambique


A Vale informou na sexta-feira (23/10) que está avaliando exercer a opção de compra de 51 por cento da Insitec, empresa de Moçambique dona de concessões ferroviárias e portuárias, o que viabilizaria a expansão do seu projeto de carvão (Moatize) naquele país.

Nesta sexta-feira, a mineradora assinou em Moaçambique protocolo de intenções com o governo e a Insitec, acionista das empresas constituintes do Corredor de Desenvolvimento de Nacala (CDN). O protocolo foi assinado pelo ministro de Transportes e Comunicações de Moçambique, Paulo Zucula; pelo diretor-presidente da Vale, Roger Agnelli; e pelo presidente da Insitec, Celso Corrêa.

Segundo a Vale, o objetivo é reproduzir o modelo de integração mina-ferrovia-porto usado com sucesso no Brasil.

"A viabilização deste corredor logístico possibilitará a expansão da mina de carvão de Moatize, e facilitará o desenvolvimento da mina de fosfato de Evate, projetos moçambicanos que estão atualmente em fase de estudo, além de permitir no futuro o escoamento do cobre a ser produzido pela Vale no Copperbelt da Zâmbia", informou a companhia em nota.

O projeto Moatize prevê a produção inicial de 11 milhões de toneladas de carvão, que já tem logística assegurada. A compra das ações da Insitec seriam para garantir a expansão de Moatize para 24 milhões de toneladas.

"Estamos examinando a viabilização de ferrovia de Moatize a Nacala, envolvendo construção de ligação ferroviária com aproximadamente 180 quilômetros de extensão entre Moatize e Lirangwe, no Malawi", informou a Vale.

Além disso, "a empresa avalia a reabilitação de 730 quilômetros da ferrovia já existente conectando o Malawi a Moçambique, e o desenvolvimento de um terminal marítimo de águas profundas... em Nacala", complementou a companhia.

"Este projeto vai promover o desenvolvimento da África Oriental, com destaque para países como Moçambique, Zâmbia, Malawi e República Democrática do Congo, onde existem importantes reservas de carvão, cobre e fosfato e enorme potencial agrícola", declarou na nota o presidente da Vale, Roger Agnelli, que esta semana anunciou investimentos de 12,9 bilhões de dólares para 2010.

O executivo tem sido pressionado pelo governo brasileiro para investir mais no Brasil, que receberá 63 por cento do total anunciado. Agnelli tem demonstrado porém que a companhia também precisa se expandir internacionalmente. Além do protocolo em Moçambique, a Vale participa nesta sexta-feira de uma licitação na Mongólia, também para exploração de carvão.

Porto de Santos pode ganhar estaleiro


O Porto de Santos pode ganhar um investimento da ordem de US$ 1 bilhão para a construção de um estaleiro e uma base logística offshore. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (23/10) pelo ministro-chefe da Secretaria Especial de Portos (SEP), Pedro Brito, durante cerimônia de assinatura de contratos para dragagem dos portos do Rio de Janeiro e Angra dos Reis.

Brito preferiu não divulgar o nome do investidor interessado no projeto no Porto de Santos. O ministro deixou claro, no entanto, que o novo marco regulatório para o setor portuário, que deve ser lançado em breve, ajudará no processo de construção do estaleiro.

“A área de Santos não tem nenhum estaleiro. É um projeto importante para a região e para o atendimento da demanda”, disse o ministro, adiantando que existe um grupo interessado em investir na construção de uma base de apoio e logística offshore no Porto de Aratu, na Bahia.

O diretor-presidente da Companhia Docas do Rio de Janeiro, Jorge de Mello, contou que a empresa está negociando com a Petrobras a utilização de uma área no Porto do Rio para logística de apoio offshore. “As conversas são iniciais. Na próxima semana teremos uma reunião com a diretoria da empresa”, adiantou Mello.

Portos do Rio ganham dragagem

A SEP assinou hoje contrato com as empresas Somar e Enterpa para a dragagem dos portos do Rio de Janeiro e Angra dos Reis, respectivamente. As obras no Porto do Rio devem levar até 12 meses e vão demandar 123 milhões para a dragagem de 4 milhões de m³, o que elevará o calado do área para 15,5 m.

Em Angra dos Reis, porto que já é operado pela Tecnhip – a empresa comprou 60% de participação na Angraporto, serão investidos R$ 3 milhões nas obras de dragagem. Os trabalhos devem durar cerca de dois meses.

Itaguaí também ganhará dragagem

O ministro Pedro Brito contou ainda que serão abertos na próxima semana os envelopes da concorrência para a dragagem do Porto de Itaguaí. Três empresas participam da licitação das obras. A Petrobras assinou recentemente memorando de entendimento com a Gerdau e CSN para estudar a viabilidade da construção de instalações portuárias na Baía de Sepetiba. As instalações incluiriam esteiras, transportadoras, dutos e píeres, preservando os interesses de cada empresa.

As três empresas possuem áreas industriais adjacentes ao município de Itaguaí (RJ), para as quais vêm desenvolvendo seus projetos separadamente.