quarta-feira, 31 de março de 2010

A TI na movimentação de mercadorias







Muitas corporações, especializadas em logística ou com uma área de porte, já saíram do controle feito em prancheta ou Excel ao investirem em sistemas de ERP ou de controle específico. Enquanto um bom contingente ainda está nessa “arrumação da casa”, se fala na metade das empresas, os outros 50% estão em um chamado estágio 2 – quem já finalizou a informatização da infraestrutura – e partem para soluções que trazem maior controle de tráfego de mercadoria, como captura móvel de informações e uso de Wi-Fi, por exemplo, buscando obter maior performance, mais controle do processo e menor custo.

No entanto, os executivos dos fornecedores de solução admitem que ainda falta uma boa estrada para que o setor possa ser considerado maduro como um todo na utilização de TI, principalmente se comparado com o que acontece no exterior. “Lá fora existem mais empresas especializadas em tecnologia e as soluções são mais baratas, o que torna a tecnologia mais acessível. A própria infraestrutura de telecomunicações tem maior consolidação e mais anos de janela”, garante Wagner Bernardes, diretor de marketing e vendas da Seal, que possui produtos para mobilidade e captura de dados.

No geral, como avalia Hilton Rocha, consultor de negócios e processos em supply chain da Infor – empresa global que trabalha em mais de 100 países e 70 mil clientes com especialização em soluções para a gestão de cadeias logísticas –, os investimentos totais do setor em TI no Brasil ainda são baixos. “Vem crescendo, mas ainda não atingiu um bom nível. As corporações que adquirem serviços logísticos, por exemplo, ainda se preocupam com o menor custo final e não com o valor agregado, e isto se reflete nos investimentos em automatização. Entre um servidor e uma empilhadeira, se investe no segundo. E TI ainda não é explorado da forma como deveria, até porque logística é vista como despesa em muitas empresas”, garante o executivo.

Uma saída é mostrar que as soluções de TI não fazem parte do custo e sim do investimento com retorno de médio ou mesmo longo prazo, e muitas vezes com avanços tangíveis e outros intangíveis. “Essa percepção está mudando, a crise ajudou nesse sentido. No entanto, para rever custos globais é preciso algo mais complexo, como rever a malha de distribuição como um todo”, explica João Mário Lourenço Filho, sócio diretor em supply chain management da IBM.

É interessante notar que estudos como o do Aberdeen Group apontam que os custos logísticos representam entre 5% a 10% do faturamento das empresas e a ineficiência nestas atividades podem implicar valores ainda maiores. Apenas a conta frete é responsável por cerca de 50% destes custos e por isso demanda das empresas uma especial atenção à gestão e aos indicadores. Apenas com o uso de automatização é possível reduzir essa conta em algo entre 8% e 12%.

O fator transporte

Para entender a estratégia utilizada por empresas que alcançaram sucesso na gestão dos gastos logísticos no Brasil, a Webb – provedor com forte atuação no setor – consolidou a opinião de 85 executivos de empresas de grande e médio porte de diversos segmentos. Ao longo do último ano, metade das empresas pesquisadas constatou aumento nos custos de transporte. Em resposta, as principais estratégias adotadas foram o aperfeiçoamento da análise dos gastos, seguido pela melhoria dos processos de contratação e execução da operação de transporte, citados respectivamente por 52%, 46% e 42% dos participantes.

Por outro lado, uma outra parcela das empresas pesquisadas (30%) se destacou por ter reduzido mais de 5% na proporção dos gastos com transportes sobre o faturamento em relação ao ano anterior. Tal redução deve-se à implantação de processos e ferramentas mais eficazes para análise de gastos, seleção, contratação e pagamento de serviços de transportes (veja mais no BOX: Para atingir o Nirvana).
Para se fazer uma comparação com o que acontece no mundo, outra pesquisa global da IBM, feita junto a 400 executivos de 29 verticais – excetuando a América Latina –identificou quatro desafios no setor: a visibilidade das informações da cadeia de suprimentos (70%), o gerenciamento de riscos (60%), o aumento das demandas dos clientes (56%) e os custos do setor (55%). Portanto com questões bem mais amplas que o identificado localmente.

De acordo com Lourenço Filho, da IBM, no entanto, as empresas com a infraestrutura logística evoluída, mesmo no Brasil, também teriam as mesmas preocupações. “Encontramos respostas para os quatro temas a partir do que chamamos de 3 “is” (interconectado, instrumentado e inteligente). Isso pode ser traduzido, no futuro, por termos todas as transações automatizadas, com uma alta interconexão entre os participantes da cadeia, assim como deve existir colaboração e ferramentas que tragam inteligência ao processo, permitindo simulações e predições de cenários”, explica.

Abrindo a carteira

Na fotografia do mercado, os grandes provedores logísticos já atingiram um bom patamar de utilização da TI ao contrário dos pequenos e médios prestadores de serviço. Isso se deve à demanda dos clientes de porte, fazendo com que os provedores de serviço precisem ter melhores práticas de controle, infraestrutura bem montada, sistemas confiáveis e grande visibilidade. Já as corporações que possuem áreas logísticas têm não apenas a questão do porte como definidor de investimentos como também a vertical em que atuam e mesmo o custo/benefício dos projetos. “De modo geral, empresas de bens de consumo e varejo são os que mais investem. Muitos mercados se espelham neles, por terem mais giro. Por outro lado, os mais adormecidos são os de commodities”, aponta Gustavo Figueiredo, diretor de logística da Web.

Nos últimos anos, como falamos, o investimento é crescente, mas a crise econômica bateu firme na dicotomia TI-logística. Muitos projetos foram engavetados e se a redução do dólar poderia servir como uma alavanca para baratear as soluções e equipamentos, também reduziu o lucro de setores de exportação, que movimentam uma boa parcela do tráfego de produtos.

A maior demanda do setor passa pela melhoria da infraestrutura, algumas vezes até em equipamentos básicos, evolui em alguns casos para a melhoria dos processos com maior automatização e ainda chegando à inteligência operacional. “Temos uma procura por redesenho da cadeia e em planejamento tático e operacional, desde malha viária até o uso de múltiplos modais (formas de transporte de cargas)”, garante Rocha, da Infor. Outras tecnologias emergentes já chegam a uma curva de aceitação importante como o uso de coletores de dados com uso de voz, RFID (identificação por radiofreqüência), uso de Wi-Fi (rede local sem fio) e rastreamento de veículos e cargas.

A visibilidade da cadeia também é um fator que preocupa localmente. “Ainda estamos na infância na questão de enxergar a cadeia como um todo. Precisamos avançar em sistemas de ECR (Efficient Consumer Response), por exemplo”, admite Mario Mohry, diretor de supply chain da Pepsico, que participou de evento da IBM sobre o tema. Como a companhia trabalha diretamente, entregando o produto nas cadeias de lojas para o consumidor final, as respostas podem e devem ser mais dinâmicas. “Vamos testar novas formas de venda para aveia e precisamos avaliar o feedback da nossa estratégia, algo que sem o ferramental apropriado seria impossível”, completa.

Investir é preciso

Fundada há mais de 50 anos nos Estados Unidos, a Martin-Brower opera no Brasil desde 1982 na distribuição para os mercados de food service e bebidas atendendo diversos hotéis e hospitais, assegurando o alto nível de qualidade e segurança alimentar. Atuante com uma cadeia ampla de clientes e fornecedores, a companhia investiu em processos logísticos e em dois sistemas, o Route Control System (RCS) e o Quality Management System (QMS), com o objetivo de aprimorar o controle da sua cadeia de valor. O primeiro atua como controle das atividades de frota e o QMS é um sistema de qualidade voltado para o gerenciamento de armazéns.

“A empresa sempre primou pela excelência em sua distribuição. Agora com essas inovações vamos ter um controle remoto online de toda a operação e de tudo o que está acontecendo com os caminhões em qualquer parte do País. Sem contar que o controle dos produtos nos armazéns será aprimorado, trazendo melhora substancial na velocidade de resposta aos clientes, otimização do nível de serviço e redução de custos”, garante Ives Uliana, diretor de operações e supply chain da Martin-Brower. Com os novos sistemas será possível conseguir mais velocidade de resposta e redução de custos, pela melhoria na agilidade dos processos.

O RCS controla toda a telemetria dos veículos, com dados da quilometragem, consumo de combustível, paradas e velocidade, entre outras amostragens, e é composto de um computador de bordo e um handheld carregado pelo motorista. As informações são capturadas automaticamente pelo computador de bordo e outras inseridas no handheld pelo motorista e com a utilização da tecnologia bluetooth e são transmitidas via rede sem fio, o que agiliza a obtenção e o processamento dos dados. Informações que geram relatórios de desempenho do veículo, dados gerais da viagem e das entregas e até da forma de dirigir do condutor. Além disso, há o monitoramento via satélite dos veículos, que podem ser acompanhados em tempo real por qualquer computador que tenha acesso à internet.

Já o QMS tem foco na qualidade dos produtos e serviços. E com ele a Martin aperfeiçoará a operação de seus cinco armazéns, com detalhes e controle dos lotes de produtos, desde a sua chegada até o carregamento e despacho aos clientes. “Isso é feito através de etiquetas e leitores de códigos de barras, dentro do JDE, nosso ERP”, explica o executivo. E torna possível a visualização da atuação da empresa como um todo, permitindo uma melhor integração entre compras, armazém e vendas. Profissionais das áreas de TI e de operações da empresa estiveram envolvidos por meses no processo de aperfeiçoamento e atualização dos sistemas.

Saindo do papel

Outra empresa que faz investimentos pesados na área logística é a Suzano Papel e Celulose, que pretende automatizar todos os seus terminais marítimos e já fez importantes movimentos na área. Afinal, com a entrada em operação da Linha 2 da Unidade Mucuri, no extremo sul da Bahia, a companhia - maior exportadora de containers do tipo dry do País - praticamente triplicou sua capacidade de produção. Atualmente, o objetivo é a referência mundial em inovação e tecnologia logística. Uma forma de garantir competitividade no ambiente global.

A Suzano iniciou a implementação do projeto de automação dos terminais marítimos no exterior com o objetivo de integrar as áreas de negócios da empresa aos operadores logísticos. Desenvolvido em conjunto entre as áreas de logística, comercial e TI, o projeto tem como foco a visibilidade de todo o processo, bem como a integridade das informações.

Fruto da parceria com a Sisplan, o projeto possibilitou também automatizar processos que eram feitos manualmente pelos escritórios de vendas internacionais nos Estados Unidos e Europa, além de rastrear a mercadoria desde a sua fabricação até a entrega ao cliente final em qualquer parte do mundo. Em fase de implementação na Europa (em oito terminais), o projeto levou dois meses para ser concluído nos Estados Unidos (seis terminais), onde opera desde agosto do ano passado.

Gestão é a palavra

Utilizando a TI como motor das mudanças, tanto na gestão como operação, a empresa tem como meta desenvolver projetos de monitoramento de containers, automação de terminais, gerenciamento de abastecimento de madeira, insumos e escoamento de produtos acabado, entre outras iniciativas. Nos últimos dois anos, a Suzano implementou sistemas de gestão por indicadores para custos logísticos, performance e serviços, desenvolveu um projeto de benchmarking, padronizou com sucesso os procedimentos e sistemas operacionais nas unidades de Embu e Limeira, ambas em São Paulo. Outra iniciativa foi a criação da área de Inteligência Logística, que desenvolveu serviços sobre medida para seus clientes e adotou a metodologia 6 Sigma para direcionar os esforços da área para a maior produtividade com qualidade.

O tráfego de caminhões utilizados pela empresa chega a mil viagens por dia entre expedição e entrada de insumos. E para controlar essa frota, a Suzano implantou o Cecol – Centro de Controle de Operações Logísticas, um sistema integrado de gerenciamento de abastecimento de madeira (Cecom), insumos (Cecoi) e escoamento de produtos acabados (Cecop). O projeto inovador, que otimizará e dará suporte à logística na Unidade Mucuri, utiliza os mais avançados recursos de tecnologia da informação e permitirá redução de custos da ordem de R$ 1,2 milhão ao ano. O sistema controla o abastecimento de madeira desde o carregamento até a fábrica, rastreando os caminhões com sistema GPS.

Outro investimento em destaque é o monitoramento do transporte de containers, desenvolvido em parceria com a GT Nexus e a Multicom.net. Com a nova ferramenta é possível visualizar a posição de seus navios nos oceanos do mundo todo e emitir alertas sobre atrasos ou mudanças nos prazos de entrega, o que traz melhorias no atendimento aos clientes internacionais, podendo posicioná-los com antecedência e precisão sobre o prazo de entrega da carga.

A oferta agora

Como vimos, existe uma grande diversidade de como os fornecedores estão trabalhando os novos projetos do setor. A Seal, por exemplo, acredita no corpo-a-corpo, com eventos e palestras para falar sobre os ganhos da tecnologia e disseminar o uso de seus equipamentos. “Em março teremos o nosso webinar, mostrando a experiência dos clientes, o que gera uma identificação de quem deseja investir. Acredito em uma demanda por soluções que saiam das quatro paredes, como mobilidade”, garante Bernardes.

Já a Infor se adequa à demanda do Brasil. “Em termos de tendências, acho que estamos até alinhados com o mundo, mas pelo gap de investimentos temos mais possibilidades de crescimento por aqui”, assegura Rocha. Falando em soluções, a empresa possui desde sistemas para o planejamento estratégico, indicando o tático e operacional, englobando todo o supply chain, até a venda de seu ERP integrado a ferramentas de SOA, além de outros sistemas de gestão, com foco no tema logístico.

Porém, existem os otimistas. “Queremos dobrar de tamanho nestas soluções este ano. O limite para os provedores de tecnologia será a capacidade de conseguir entregar e customizar os sistemas para os clientes”, explica Figueiredo, da Webb. O foco para conseguir estes resultados será no ciclo das empresas, com soluções que evoluem do pedido, passando pela integração aos sistemas de ERP, até a rastreabilidade e controle das cargas. (C.F.)


PARA ATINGIR O NIRVANA

Veja a seguir os Dez Mandamentos para atingir a redução do custo de transporte (*) e aumentar a eficiência da cadeia produtiva.

1- Rede flexível: as decisões da cadeia de suprimentos e de produção influem na economia do transporte. Uma compreensão completa da rede faz avaliar e redesenhar as cadeias de suprimento de tal modo que fornecedores, produtores, distribuidores e varejistas estejam alinhados às condições vantajosas de frete que reduzem custos e aprimoram o serviço.

2- Fixe orçamentos e meça o progresso: o velho ditado já diz que não se pode administrar o que não se pode medir. Entenda seu orçamento de transporte e compare-o cautelosamente com os padrões do mercado. Controle desde linhas de produtos, taxas, serviços e modos, incluindo indicadores-chave de performance. Uma administração abrangente e cuidadosa garante maior visibilidade na rede, conforme mudanças vão ocorrendo.

3- Melhore as estratégias do processo: utilize as redes de transporte para intensificar o cross-docking e evitar postergações, reduzindo os tempos de entrega e melhorando o capital de giro.

4- Negocie limitações de preço e capacidades a longo termo: equilibre o preço com a capacidade de expansão do distribuidor, conforme se dê o crescimento de seus negócios.

5- Otimize o cumprimento de entrega: assegure-se de que suas despesas com frete estão adequadas. Exija o cumprimento das guias de rotas para evitar despesas não orçadas com fretes.

6- Melhore o planejamento de transporte: se pagou pelo espaço, então use-o. Conhecer de perto os pontos de carga e descarga, o tamanho e a natureza da mercadoria a ser transportada torna o uso de cada metro cúbico de espaço mais eficiente.

7- Aprimore a consolidação de saída: certifique-se de inserir o maior volume de carga possível em cada container e verifique que todos os fretes e modos sejam otimizados.

8- Amplie a visão: desde a entrada do pedido até a entrega final, inteire-se do que se passa em todo o processo e antecipe as ações a serem realizadas.

9- Melhore os processos de execução: apenas pague pelo que acordou em contrato. Audite constantemente os carregamentos de forma a certificar-se de que todos os termos previamente consentidos estão sendo cumpridos.

10- Integração: enxergue os processos de transporte e comércio como algo integrado, a fim de compreender o quanto um impacta no outro.

(*) Fonte: Infor

PAC1 só executou 49% no CE

Enquanto o País, aplicou 63,3% dos investimento do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) nos três primeiros anos, incluindo investimentos do setor privado, no Ceará, 49,80% do investimento foi efetivado. Dos R$ 48,6 bilhões previstos para o Estado, foram repassados R$ 24,2 bilhões. Os R$ 24,4 bilhões restantes ficam para obras pós-2010. No Estado, nos três primeiros anos, as obras de logística receberam R$ 909,3 milhões em empreendimentos exclusivos e R$ 4,4 bilhões em empreendimentos de caráter regional. O setor energético atraiu R$ 8,1 bilhões em empreendimentos exclusivos e R$ 1,096 bilhão em empreendimentos de caráter regional. As áreas social e urbana tiveram R$ 6,4 bilhões em empreendimentos exclusivos e R$ 3,1 bilhões em empreendimentos de caráter regional. Para após 2010, restam do PAC 1, para logística, R$ 22,3 milhões em empreendimentos exclusivos e R$ 967 milhões em empreendimentos de caráter regional. Para o setor energético, virão R$ 22,9 bilhões em empreendimentos exclusivos e R$ 520 milhões em empreendimentos de caráter regional. As áreas social e urbana não receberão recursos após 2010 pelo PAC 1.

Segundo balanço do Comitê Gestor do programa, na área de infraestrutura logística, foi concluída a obra da torre de controle e terminal de cargas no Aeroporto Internacional Pinto Martins. As obras da Transnordestina, de duplicação da BR 304 (ponte sobre rio Jaguaribe, em Aracati) e os estudos para o terminal de passageiros do aeroporto estão em execução. Em fase de licitação, estão a duplicação do contorno de Fortaleza (BR 020) e a dragagem de aprofundamento do acesso aqueviário ao Porto do Mucuripe. A duplicação da BR 222 (entrocamento de acesso ao Porto do Pecém) está em fase de ação preparatória (elaboração de projeto e licenciamento). Estas são as principais obras estratégicas para ampliar a infraestrutura logística do Estado.

Em infraestrutura energética, foram concluídas as obras da UTE Termoceará, terminal de regaseificação de GNL, as linhas de transmissão Milagres-Tauá e Milagres-Coremas, a usina de biodiesel da Petrobras em Quixadá, oito parques eólicos via Proinfra. Estão em obras a UTE Pecém I, a UTE Maracanaú, interligação Norte e Nordeste com a linha São João do Piauí e Milagres e seis parques eólicos.

Em processo de licitação estão as UTEs Maracanaú II, José de Alencar e Pecém 2, a linha de transmissão Picos-Tauá, a subestação Aquiraz II. Em ação preparatória estão a subestação Pecém II, a refinaria Premium II e a linha de transmissão Banabuiú-Mossoró. Em infraestrutura social e urbana, o PAC 1 alcançou a meta original de efetuar 112 mil ligação do programa Luz para Todos. A meta adicional é atingir 57.405 ligações até o fim de 2010.

Outros objetivos são recuperação das bacias dos rios Maranguapinho e Cocó, esgotamento sanitário da região metropolitana de Fortaleza, ampliação do abastecimento de água em Sobral, Canindé e Crato, ampliação do esgotamento sanitário em Quixeramobim, Quixadá, Crateús, Limoeiro do Norte, Sobral, drenagem em Juazeiro do Norte e Sobral, e reassentamento de famílias localizadas em áreas de dunas, lagoas e beiras de rios.

Para a habitação, o investimento foi de R$ 1,7 bilhão. Urbanização recebeu R$ 709, 9 milhões. (CC) O que eles pensam Sociedade precisa fiscalizar os resultados "Apesar de menos da metade das obras do PAC ter entrado em execução, não podemos tirar o mérito dos projetos em andamento, posto que o governo tem uma série de ações a enfrentar, como licenças ambientais e burocracias nas licitações. Na hora em que o governo diz que fará uma obra, a sociedade cobra. Quando o governo não faz, não planeja, não tem como ou o que cobrar. Para o PAC 2, as expectativas são bem otimistas, pois trará mais investimentos para a construção civil, mas é preciso correr para qualificar pessoas."

terça-feira, 30 de março de 2010

Novas oportunidades em logística

Nem mesmo a recente crise internacional foi capaz de frear o crescimento da demanda por profissionais na área de logística nos últimos anos. O perfil de quem atua na área, no entanto, mudou. Até pouco tempo, os maiores cargos ocupados por executivos do setor estavam limitados à gerência. Agora, o mercado já aloca especialistas em funções de direção ou nas cadeiras de vice-presidente ou presidente. "Em momentos de crise, as empresas saem em busca de novas soluções para reduzir custos, exigindo todo o conhecimento de especialistas nesse setor", garante Maurício Lima, diretor da área de capacitação do Instituto Ilos, que atua na área de geração de conhecimento e soluções em logística.
A prova desse bom momento para os profissionais é que quatro grandes empresas ouvidas pela reportagem oferecem vagas em mais de 10 cidades, além de colocações nos Estados Unidos, México e Argentina. "Por ser uma carreira relativamente nova, ainda há um grande potencial de crescimento", analisa Lima. Há oportunidades de trabalho para recém-formados, que ocupam cargos de analista e participam de atividades de planejamento, além de gerentes e diretores.
Para o especialista, a tendência é um reflexo do aumento da importância da logística nas empresas, observado desde o início da década de 1990, quando a eficiência operacional passou a ser decisiva na indústria e no varejo - até então, o estoque era considerado uma reserva de valor e alvo de especulação. "Hoje, o excesso de armazenamento é visto como uma ineficiência. Ao trabalhar com um baixo nível de estoque, a empresa fica mais suscetível a erros e exige uma rotina de alta confiabilidade, o que demanda uma logística muito mais complexa e sofisticada", afirma.

Pesquisa - O Valor teve acesso a uma pesquisa inédita realizada pelo Ilos com 104 profissionais de logística no Brasil. O estudo revela que as mulheres estão ganhando mais espaço em um mercado tradicionalmente masculino e que experiências internacionais pesam na hora da promoção. Entre os gerentes, 46% dos profissionais recebem entre R$ 50 mil e R$ 150 mil, e 42% deles ganham entre R$ 150 mil e R$ 300 mil por ano. Nos cargos de presidente e diretor, 57% dos executivos abrem holerites que passam dos R$ 300 mil anuais.
Mas na hora de reivindicar melhores salários, a experiência internacional do profissional de logística parece ser decisiva. O estudo mostra que 56% dos empregados que ganham acima de R$ 300 mil por ano já trabalharam ou estudaram fora do país. São eles que, geralmente, estão em cargos mais elevados, como presidente ou diretor. O Ilos também observou que, nos últimos dois anos, as executivas ganharam mais posições e melhores salários em um segmento dominado pelos homens. Em 2008, 66% das mulheres ocupavam funções de analista. Já em 2009, 48% delas aparecem em postos mais graduados, como gerente (38%), presidente ou diretor (10%). A mudança também respingou nos salários. No ano passado, 59% das profissionais passaram a receber entre R$ 50 mil e R$ 150 mil anuais - em 2008, apenas 40% delas ocupavam essa faixa.
Coordenadora do departamento de transporte da Aliança Navegação e Logística em Santos (SP), a executiva Juliana Latorraca entrou na empresa como estagiária, em abril de 2005. "Fui contratada oito meses depois, quando terminei a graduação", lembra. Juliana é engenheira de produção mecânica e fez um MBA em gestão empresarial, com ênfase em logística, na Fundação Getúlio Vargas (FGV). Hoje, é responsável pelo departamento de multimodal da Aliança, que gerencia o transporte terrestre de contêineres depois da chegada ao porto. "A atividade exige a contratação, monitoramento e controle de serviços de transporte rodoviário, ferroviário, terminais de contêineres, além de fornecedores de serviços e de mão de obra para a movimentação das cargas."
Juliana já coordenou operações delicadas, como o transporte de plasma sanguíneo em contêineres com temperatura controlada, e o atendimento a uma grande empresa de eletroeletrônicos que incluiu a contratação de veículos com dispositivos de segurança, disponibilidade de equipes 24 horas por dia e informações em tempo real para o cliente. Para ela, o segredo da profissão é atender a exigência do contratante no menor prazo e com o menor custo. "Além de raciocínio lógico, o profissional deve ser dinâmico, tomar decisões rapidamente e sob pressão."
A atualização também é um forte requisito para se manter no cargo. Além do MBA, a engenheira fez curso de inglês no Brasil e nos Estados Unidos e participa de treinamentos internos na companhia. Em 2010, pretende se inscrever em uma especialização em finanças, controladoria e gerenciamento de processos. Segundo a pesquisa, 96% dos profissionais da área afirmaram ter investido na própria capacitação durante o ano. As aulas de logística integrada, custos logísticos e de cadeias de suprimentos foram as mais procuradas pelos profissionais. Nos próximos anos, por conta de necessidades do mercado, os treinamentos mais comuns devem ser de logística tributária e planejamento de redes logísticas.
Segundo Hugo Yoshizaki, coordenador da Fundação Vanzolini e do curso de pós-graduação em logística empresarial da Universidade de São Paulo (USP), a maioria dos alunos dos cursos de especialização tem formação em engenharia e administração de empresas e idades entre 25 e 35 anos. O curso de pós-graduação em logística empresarial da Fundação Vanzolini, oferecido em convênio com a USP, foi lançado em 2005 e já formou sete turmas, com quase 200 alunos. "São oferecidas duas turmas por ano com 35 vagas cada uma. A procura oscila entre 3 e 4 candidatos por vaga", diz. Em maio, a fundação lança um novo curso, de capacitação em gestão de operações logísticas para profissionais com ou sem experiência na área.
Para Maurício Lima, além de conhecimento técnico, o profissional também deve ter grande habilidade analítica. "O custo dessa atividade para as empresas é alto e representa mais de 8% da receita líquida das companhias no Brasil." Segundo o diretor do Ilos, a maioria dos profissionais do mercado é formada em engenharia e administração e direciona a formação acadêmica para logística durante a pós-graduação. Nas empresas do setor, o profissional tem de conhecer operações de comércio exterior e dominar o idioma inglês. "Além do lado técnico, é preciso saber lidar com o inesperado. O transporte internacional marítimo, aéreo e terrestre envolve alfândegas, documentação e conformidades legais, e exige a gestão de um profissional que não seja acomodado", diz Fábio Bermúdez, diretor de logística internacional da Tito Global Trade Services, especializada em logística e gestão aduaneira.
A companhia tem 400 funcionários, escritórios em 11 cidades brasileiras e unidades em três países. Para selecionar candidatos, Bermúdez recebe indicações, vai às universidades e usa recrutadores profissionais. No ano passado, a empresa, dona de um faturamento de US$ 24,4 milhões, contratou 75 pessoas. "Três foram para cargos de gerência", diz. Em 2010, espera-se um crescimento de 24% nos negócios e a criação de 50 posições para as áreas de gestão e operação de projetos. As vagas abertas estarão em Porto Alegre (RS), São Caetano do Sul e São Paulo (SP), além de Buenos Aires, Cidade do México e Miami. A empresa também vai investir US$ 600 mil no fortalecimento de equipes comerciais - quer criar times de vendas locais em todos os países de atuação.
Na Brasilmaxi, com 370 funcionários e unidades em seis cidades, a previsão é contratar 50 profissionais para cargos operacionais, técnicos e de supervisão. "Eles devem atuar na Grande São Paulo, Rio de Janeiro e no Espírito Santo", afirma Uguslete Zanardi, responsável pela área de RH. A empresa atende clientes como Semp Toshiba, LG e Honda e planeja engordar os contratos em 17%, até dezembro. No ano passado, contratou 120 pessoas e cinco delas foram para posições de comando.
"Queremos profissionais com curso superior e preferencialmente com uma pós-graduação em logística", adianta José Luiz Pereira, diretor operacional da Golden Cargo, especializada em transportes e armazenagem de produtos ligados à cadeia do agronegócio. A empresa, com um faturamento de R$ 100 milhões, tem centros de armazenagem e distribuição em sete Estados e coleciona clientes como Dow e Basf. Com mais de 300 colaboradores, contratou quatro gerentes em 2009 e vai fazer novas contratações este ano. Há vagas abertas também na Exata Logística, que faturou R$ 80 milhões em 2009 e atende a Vivo e a Masterfoods, do setor alimentício. No ano passado, a companhia de 500 funcionários admitiu 80 colaboradores e dez foram para posições de gerente ou superior. "Os profissionais vieram de Minas Gerais, São Paulo e do Distrito Federal", diz o diretor Mauricio Pastorello.

Fonte: Valor

PAC 1 teve R$ 117 bilhões em financiamentos do BNDES

A carteira de financiamentos do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a primeira fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 1) soma atualmente R$ 117,5 bilhões - o que resultou em investimentos totais, com as contrapartidas aos desembolsos por parte das empresas financiadas, de R$ 208 bilhões. Os financiamentos se destinam aos setores de energia (elétrica, petróleo e gás e combustíveis renováveis), logística (rodovias, ferrovias e marinha mercante), social e urbana (saneamento, urbanização e metrôs) e administração pública (sistema de escrituração digital).

Segundo o BNDES, existem na carteira de financiamento 318 projetos, dos quais 84% já aprovados ou contratados e os demais estão em fase de análise ou de consulta. Com os financiamentos, o banco "consolidou posição como importante agente financeiro de projetos de investimento no âmbito do Programa de Aceleração de Crescimento [PAC]". Foram desembolsados, do total financiado, R$ 67,9 bilhões até fevereiro, sendo R$ 57,5 bilhões para energia, R$ 6,4 bilhões para logística e R$ 3,9 bilhões para a área social e urbana.

 A maior parte das operações do BNDES no PAC 1 refere-se a projetos no setor de energia, com financiamentos de R$ 87,2 bilhões, equivalentes a investimentos de R$ 159 bilhões. "Desse total, R$ 37,3 bilhões são financiamentos em geração [R$ 61 bilhões em investimentos totais] e R$ 10 bilhões em transmissão [R$ 18,5 bilhões em investimentos totais].

Já o segmento de petróleo e gás conta com financiamentos do BNDES de R$ 39,6 bilhões, com investimentos totais no valor de R$ 78,3 bilhões%u201D, informou o BNDES. Outros R$ 22 bilhões foram financiamentos destinados à área de logística, que propiciaram investimentos de R$ 34 bilhões em rodovias, ferrovias e marinha mercante.

Também foi dado apoio a projetos de saneamento, com financiamentos de 5,5 bilhões e investimentos de R$ 10 bilhões. O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, adiantou que o banco deverá ter %u201Cpresença expressiva%u201D no PAC 2, anunciado hoje (29), pelo governo. O apoio se dará, principalmente, a investimentos do setor privado nos segmentos de mobilidade urbana, saneamento, drenagem, energia, transportes e à área social.

Agência Brasil

quarta-feira, 3 de março de 2010

Logística agropecuária deve receber R$ 3 bi no PAC-2

BRASÍLIA - A segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC-2, contará com aproximadamente R$ 3 bilhões para infraestrutura e logística voltadas para a agropecuária brasileira, segundo declaração do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, à Agência Estado.

Estes recursos, de acordo com o ministro, serão destinados principalmente a estradas, armazéns e portos, conforme reunião realizada hoje entre representantes da Secretaria Especial de Portos, Ministério dos Transportes, Ministério da Agricultura e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). "Todos estão conscientes de que os principais gargalos do País estão na área da agricultura", comentou Stephanes. Para o ministro, não só o setor precisa ser valorizado em função de sua importância para a economia, mas também é preciso que os custos diminuam para o produtor, que vem perdendo renda em função do sistema precário de logística e transportes do Brasil. A previsão é de que o PAC-2 seja anunciado no próximo dia 26.

 Agencia Estado

segunda-feira, 1 de março de 2010

Organizadores se preparam para dia de caos no aeroporto de Vancouver



Os especialistas de logística do aeroporto de Vancouver planejam a mais de dois anos um esquema para as "maiores" e mais movimentadas 24 horas do local.

Segunda-feira será o dia "D", quando milhares de turistas e atletas regressarão aos seus países depois dos Jogos. Como lição, os organizadores se apegam ao caos que virou o aeroporto de Salt Lake City em 2002, quando milhares de pessoas passaram horas esperando a vez de embarcar.

Paulo Levy, vice-presidente de planejamento olímpico do aeroporto, disse à CTV que está tranquilo quanto ao fluxo de gente e não tem deixado de dormir devido ao fato. Ele falou que foi decidido cedo qual procedimento será utilizado e que a única coisa que os organizadores não querem é estragar a bela experiência olímpica. Como medidas adotadas, os hotéis concordaram em fazer o check out mais tarde, as companhias aereas estão cooperando e um terminal foi construído para o grande fluxo de pessoas.